Todos Contentes e Eu Também, Manuel de Freitas
R$42,00
SOBRE O LIVRO
Todos Contentes e Eu Também é o primeiro livro que Manuel de Freitas publicou em Portugal, há 22 anos, pela editora Campo das Letras. Agora, pela nossa casa editorial, ele recebe esta edição brasileira.
Emanuel Jorge Botelho, no texto de orelha, aponta o seguinte:
Encontrar, hoje, um livro de poemas que nos dê consolo é mester de difícil conseguimento. A gente pega neles e fica entre o espanto e a repulsa, como se um tigre saísse dos nossos dedos e pedisse ao papel licença de destruição. As prateleiras das livrarias suportam, todos os dias, muito engano poético. E só não vergam por ser leve de alma muito do que sobre elas se depõe.
É do tempo de uma sorte benfazeja o meu primeiro estar com Todos Contentes e Eu Também. Hasteado numa caixa de amontoados, ele como que me chamou, em socorro, por entre o ruído, solar, de uma Feira do Livro. De então para cá foi sempre de brava claridade o nosso estar em reencontro.
Neste livro, a vida move-se num mundo de acre desencanto em que cada dia é de mel amargo (“Os trôpegos sinais do amanhecer/ condenam-te a mais um dia/ em que nem morte nem vida se resolverão/ na imperícia dos teus gestos. Sabes que não há/ outro cantar, outra paisagem mais desolada que fosse./ E contudo uma desvairada melancolia explode/ na aridez do teu corpo magro”), e a noite o lugar onde se pede o abraço, piedoso, da luz (“é o amor que de novo irás mendigar/ às portas agrestes e deslumbrantes da noite”).
Todo o urdir poético de Manuel de Freitas se pauta por um acentuado vigor, e por um vigiado rigor, tudo é claro e preclaro, tudo são nacos de silêncio amarrados ao engano do sossego. Neste livro já está todo o rumor da sua poesia (os grandes poetas não têm primeiro livro), essa espécie de lume, e de rasura, com que se escreve as horas de ter mundo, nele já há um como que rever, macerado, das linhas do tempo. Aqui tudo é dito rente ao fel e ao sangue, sem rodeios de asas, nem crivos de peito (“Parte/ ao amanhecer como quem se esqueceu/ de regressar.// Encontrarás as horas iguais a/ si mesmas, a forca no lugar certo.”).
Impiedosa, a obra de Manuel de Freitas coloca-o, a lacre, dentro de um rol, apertadíssimo, de poetas portugueses. Ficará, desde Todos Contentes e Eu Também, no para sempre de um dizer poético, e no rascunho de uma caligrafia. O seu desassombro discursivo chegou com a lisura de a tudo dar um nome, o seu dizer silabado colocou novas palavras dentro do silêncio.
SOBRE O AUTOR
Manuel de Freitas (1972) nasceu no Vale de Santarém e vive em Lisboa desde 1990. Publicou, além de ensaios sobre autores portugueses contemporâneos, vários livros de poemas. Dirige, com Inês Dias, a editora Averno.
SERVIÇO
Todos Contentes e Eu Também
Autor: Manuel de Freitas
Número de páginas: 88
Ano: 2022
Formato: 12x18 cm
ISBN: 978-65-997462-4-6